Obsessão
Grandes bosques, de vós, como das catedrais,
Sinto pavor; uivais como órgãos; e em meu peito,
Câmara ardente onde retumbam velhos ais,
De vossos De profundis ouço o eco perfeito.
Te odeio, oceano! Teus espasmos e tumultos,
Em si minha alma os tem; e este sorriso amargo
Do homem vencido, imerso em lágrimas e insultos,
Também os ouço quando o mar gargalha ao largo.
Me agradarias tanto, ó noite, sem estrelas
Cuja linguagem é por todos tão falada!
O que procuro é a escuridão, o nu, o nada!
Mas eis que as trevas afinal são como telas,
Onde, jorrando de meus olhos aos milhares,
Vejo a e olharem mortas faces familiares.
Charles Baudelaire
França
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Dia Mundial da Poesia 2010 - Matsuo Basho
年暮れぬ
笠きて草鞋
はきながら
Toshi kurenu
Kasa kite waraji
Hakinagara
Another year is gone;
and I still wear
straw hat and straw sandal.
Matsuo Basho
Japão
terça-feira, 13 de abril de 2010
Dia Mundial da Poesia 2010 - Vinicius de Moraes
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes
Brasil
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes
Brasil
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Dia Mundial da Poesia 2010 - Carlos Drummond de Andrade
Amor e seu tempo
Amor é privilégio de maduros
Estendidos na mais estreita cama,
Que se torna a mais larga e mais relvosa,
Roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
O prêmio subterrâneo e coruscante,
Leitura de relâmpago cifrado,
Que, decifrado, nada mais existe
Valendo a pena e o preço do terrestre,
Salvo o minuto de ouro no relógio
Minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. amor começa tarde.
Carlos Drummond de Andrade
Brasil
Amor é privilégio de maduros
Estendidos na mais estreita cama,
Que se torna a mais larga e mais relvosa,
Roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
O prêmio subterrâneo e coruscante,
Leitura de relâmpago cifrado,
Que, decifrado, nada mais existe
Valendo a pena e o preço do terrestre,
Salvo o minuto de ouro no relógio
Minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. amor começa tarde.
Carlos Drummond de Andrade
Brasil
domingo, 11 de abril de 2010
Dia Mundial da Poesia 2010 - Clarice Lispector
Precisão
O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
Clarice Lispector
Brasil
O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
Clarice Lispector
Brasil
sábado, 10 de abril de 2010
Dia Mundial da Poesia 2010 - Mia Couto
Destino
à ternura pouca
me vou acostumando
enquanto me adio
servente de danos e enganos
vou perdendo morada
na súbita lentidão
de um destino
que me vai sendo escasso
conheço a minha morte
seu lugar esquivo
seu acontecer disperso
agora
que mais
me poderei vencer?
Mia Couto
Moçambique
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Primavera Alentejana

Para celebrar o início da Primavera, a Biblioteca da FLUL apresenta uma exposição de fotografias do Alentejo nesta estação. O autor é Jürgen Irps que, alemão, viveu grande parte da vida entre Portugal, Japão, Estados Unidos da América e Inglaterra.
A não perder, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de hoje até dia 19 de Abril de 2010.
Dia Mundial da Poesia 2010 - José Craveirinha
Gumes de Névoa
Lágrimas?
Ou apenas dois intoleráveis
ardentes gumes de névoa
acutilando-me cara abaixo?
José Craveirinha
Moçambique
Lágrimas?
Ou apenas dois intoleráveis
ardentes gumes de névoa
acutilando-me cara abaixo?
José Craveirinha
Moçambique
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Dia Mundial da Poesia 2010 - Armando Artur
Agora (não) professo
Agora não professo
nem sussurro ao vento
os segredos que reinvento,
remo na transumância dos dias.
O sonho, esse discípulo
da noite dissipada,
inspira-me à peregrinação.
Agora não tenho fronteiras,
mas quando o exílio da memória
me retém o espelho dos dias
ao sentido original das coisas
regresso, porque é necessário
ser contemporâneo do tempo.
Agora, sim, professo:
viver e abraçar os rumores
do presente.
Armando Artur
Moçambique
Agora não professo
nem sussurro ao vento
os segredos que reinvento,
remo na transumância dos dias.
O sonho, esse discípulo
da noite dissipada,
inspira-me à peregrinação.
Agora não tenho fronteiras,
mas quando o exílio da memória
me retém o espelho dos dias
ao sentido original das coisas
regresso, porque é necessário
ser contemporâneo do tempo.
Agora, sim, professo:
viver e abraçar os rumores
do presente.
Armando Artur
Moçambique
Dia Mundial da Poesia 2010
Este ano, a Biblioteca da FLUL celebrou o Dia Mundial da Poesia, 21 de Março, distribuindo poemas de autores de diversas nacionalidades na segunda feira seguinte, 22 de Março. Se os perdeste, ou se tens curiosidade em saber quais os textos escolhidos, podes encontrá-los agora aqui no blog, a partir de hoje.
terça-feira, 23 de março de 2010
A Biblioteca nas Redes Sociais
quinta-feira, 18 de março de 2010
Sobre a Biblioteca
Biblioteca da Faculdade de Letras de Lisboa
![]() |
A Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa tem uma história de mais de um século, com origem na Biblioteca do Curso Superior de Letras, fundado por D. Pedro V, em 1859. Possui obras muito raras dos séculos XVI, XVII, XVIII, XIX e XX, de várias áreas culturais.O seu acervo bibliográfico foi-se constituindo ao longo dos anos por meio de compra e de ofertas valiosas, em que se incluem as da Academia Real das Ciências de Lisboa e da Academia de História e muitos legados de professores da Faculdade e de intelectuais portugueses.
Em 2000, a Biblioteca da FLUL mudou-se para um novo edifício, destinado a acolher todas as bibliotecas da Faculdade, o qual se situa a norte do edifício principal da Faculdade de Letras. Tem 6.600 m2 de área coberta e foi projectado pelo arquitecto holandês Harro Wittmer. Com a mudança para um edifício próprio, a actual Biblioteca sofreu um rápido crescimento da sua estrutura orgânica e funcional, oferecendo um conjunto cada vez mais diversificado de serviços e orientando-se para uma resposta eficaz aos desafios e exigências dos seus utilizadores.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
