Poema Al Amor De La Lumbre
Dulcissime vanus Homems
Al amor de la lumbre cuya llama
como una cresta de la mar ondea.
Se oye fuera la lluvia que gotea
sobre los chopos. Previsora el ama
supo ordenar se me temple la cama
con sahumerio. En tanto la Odisea
montes y valles de mi pecho orea
de sus ficciones con la rica trama
preparándome el sueño. Del castaño
que más de cien generaciones de hoja
criara y vio morir, cabe el escaño
abrasándose el tronco con su roja
brasa me reconforta. ¡Dulce engaño
la ballesta de mi inquietud afloja!
Miguel de Unamuno
Espanha
sábado, 3 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Momentos de Poesia - Teixeira de Pascoaes
A Mãe e o Filho
Teu sêr tragicamente enternecido,
Em desespero de alma transformado,
Vae através do espaço escurecido
E pousa no seu tumulo sagrado.
E ele acorda, sentindo-o; e, comovido,
Chora ao vêr teu espirito adorado,
Assim tão só na noite e arrefecido
E todo de êrmas lagrimas molhado!
E eis que ele diz: "Ó Mãe, não chores mais!
Em vez dos teus suspiros, dos teus ais,
Quero que venha a mim tua alegria!"
E só nas horas em que a Mãe descança,
É que ele inclina a fronte de creança
E dorme ao pé de ti, Virgem Maria!
Teixeira de Pascoaes
Portugal
Teu sêr tragicamente enternecido,
Em desespero de alma transformado,
Vae através do espaço escurecido
E pousa no seu tumulo sagrado.
E ele acorda, sentindo-o; e, comovido,
Chora ao vêr teu espirito adorado,
Assim tão só na noite e arrefecido
E todo de êrmas lagrimas molhado!
E eis que ele diz: "Ó Mãe, não chores mais!
Em vez dos teus suspiros, dos teus ais,
Quero que venha a mim tua alegria!"
E só nas horas em que a Mãe descança,
É que ele inclina a fronte de creança
E dorme ao pé de ti, Virgem Maria!
Teixeira de Pascoaes
Portugal
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
Momentos de Poesia - Miguel Torga
Poema Melancólico a não sei que Mulher
Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...
Miguel Torga
Portugal
Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...
Miguel Torga
Portugal
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
Momentos de Poesia - Tu Fu
Restless Night
As bamboo chill drifts into the bedroom,
Moonlight fills every corner of our
Garden. Heavy dew beads and trickles.
Stars suddenly there, sparse, next aren't.
Fireflies in dark flight flash. Waking
Waterbirds begin calling, one to another.
All things caught between shield and sword,
All grief empty, the clear night passes.
Tu Fu
China
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terça-feira, 29 de junho de 2010
Momentos de Poesia - Mechtild of Magdeburg
I cannot Dance
I cannot dance, Lord, unless you lead me.
If you want me to leap with abandon,
You must intone the song.
Then I shall leap into love,
From love into knowledge,
From knowledge into enjoyment,
And from enjoyment beyond all human sensations.
There I want to remain, yet want also to circle higher still.
Mechtild of Magdeburg
Alemanha
I cannot dance, Lord, unless you lead me.
If you want me to leap with abandon,
You must intone the song.
Then I shall leap into love,
From love into knowledge,
From knowledge into enjoyment,
And from enjoyment beyond all human sensations.
There I want to remain, yet want also to circle higher still.
Mechtild of Magdeburg
Alemanha
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segunda-feira, 28 de junho de 2010
Momentos de Poesia - Mário de Sá-Carneiro
Fim
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
Mário de Sá-Carneiro
Portugal
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
Mário de Sá-Carneiro
Portugal
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domingo, 27 de junho de 2010
Momentos de Poesia - Swami Vivekananda
A Benediction
The mother's heart, the hero's will,
The sweetness of the southern breeze,
The sacred charm and strength that dwell
On Aryan altars, flaming, free;
All these be yours, and many more
No ancient soul could dream before --B
e thou to India's future son
The mistress, servant, friend in one.
Swami Vivekananda
Índia
The mother's heart, the hero's will,
The sweetness of the southern breeze,
The sacred charm and strength that dwell
On Aryan altars, flaming, free;
All these be yours, and many more
No ancient soul could dream before --B
e thou to India's future son
The mistress, servant, friend in one.
Swami Vivekananda
Índia
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sábado, 26 de junho de 2010
Momentos de Poesia - Maya Angelou
A Conceit
Give me your hand
Make room for me
to lead and follow
you
beyond this rage of poetry.
Let others have
the privacy of
touching words
and love of loss
of love.
For me
Give me your hand.
Maya Angelou
E.U.A.
Give me your hand
Make room for me
to lead and follow
you
beyond this rage of poetry.
Let others have
the privacy of
touching words
and love of loss
of love.
For me
Give me your hand.
Maya Angelou
E.U.A.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010
Momentos de Poesia - António Nobre
A Poezia do Outomno
Noitinha. O sol, qual brigue em chammas, morre
Nos longes d'agoa... Ó tardes de novena!
Tardes de sonho em que a poezia escorre
E os bardos, a sonhar, molham a penna!
Ao longe, os rios de agoas prateadas
Por entre os verdes cannaviaes, esguios,
São como estradas liquidas, e as estradas
Ao luar, parecem verdadeiros rios!
Os choupos nus, tremendo, arripiadinhos,
O chale pedem a quem vae passando...
E nos seus leitos nupciaes, os ninhos,
As lavandiscas noivam piando, piando!
O orvalho cae do céu, como um unguento.
Abrem as boccas, aparando-o, os goivos...
E a larangeira, aos repellões do vento,
Deixa cair por terra a flor dos noivos.
E o orvalho cae... E, á falta d'agoa, rega
O val sem fruto, a terra arida e nua!
E o Padre-Oceano, lá de longe, prega
O seu Sermão de Lagrymas, á Lua!
Tardes de outomno! ó tardes de novena!
Outubro! Mez de Maio, na lareira!
Tardes...
Lá vem a Lua, gratiae plena,
Do convento dos céus, a eterna freira!
António Nobre
Portugal
Noitinha. O sol, qual brigue em chammas, morre
Nos longes d'agoa... Ó tardes de novena!
Tardes de sonho em que a poezia escorre
E os bardos, a sonhar, molham a penna!
Ao longe, os rios de agoas prateadas
Por entre os verdes cannaviaes, esguios,
São como estradas liquidas, e as estradas
Ao luar, parecem verdadeiros rios!
Os choupos nus, tremendo, arripiadinhos,
O chale pedem a quem vae passando...
E nos seus leitos nupciaes, os ninhos,
As lavandiscas noivam piando, piando!
O orvalho cae do céu, como um unguento.
Abrem as boccas, aparando-o, os goivos...
E a larangeira, aos repellões do vento,
Deixa cair por terra a flor dos noivos.
E o orvalho cae... E, á falta d'agoa, rega
O val sem fruto, a terra arida e nua!
E o Padre-Oceano, lá de longe, prega
O seu Sermão de Lagrymas, á Lua!
Tardes de outomno! ó tardes de novena!
Outubro! Mez de Maio, na lareira!
Tardes...
Lá vem a Lua, gratiae plena,
Do convento dos céus, a eterna freira!
António Nobre
Portugal
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
Momentos de Poesia - J. R. R. Tolkien
The Road Goes Ever On
The Road goes ever on and on
Down from the door where it began.
Now far ahead the Road has gone,
And I must follow, if I can,
Pursuing it with eager feet,
Until it joins some larger way
Where many paths and errands meet,
And whither then? I cannot say.
J. R. R. Tolkien
Inglaterra
The Road goes ever on and on
Down from the door where it began.
Now far ahead the Road has gone,
And I must follow, if I can,
Pursuing it with eager feet,
Until it joins some larger way
Where many paths and errands meet,
And whither then? I cannot say.
J. R. R. Tolkien
Inglaterra
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
Momentos de Poesia - Gabriela Mistral
I am Not Alone
The night, it is deserted
from the mountains to the sea.
But I, the one who rocks you,
I am not alone!
The sky, it is deserted
for the moon falls to the sea.
But I, the one who holds you,
I am not alone!
The world, it is deserted.
All flesh is sad you see.
But I, the one who hugs you,
I am not alone!
Gabriela Mistral
Chile
The night, it is deserted
from the mountains to the sea.
But I, the one who rocks you,
I am not alone!
The sky, it is deserted
for the moon falls to the sea.
But I, the one who holds you,
I am not alone!
The world, it is deserted.
All flesh is sad you see.
But I, the one who hugs you,
I am not alone!
Gabriela Mistral
Chile
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